Liderando uma Jornada de Marketing de Conteúdo Orientada a Dados com Vitor Peçanha
Publicados: 2022-11-21Não importa como o espaço digital tenha evoluído substancialmente na última década, uma coisa permanece a mesma – um diretor de marketing usa chapéus diferentes.
Caso em questão: Vitor Peçanha, co-fundador e CMO da Rock Content, líder mundial em marketing de conteúdo.
Utilizando portas antigas de uma casa de campo do pai de seu co-fundador, Peçanha construiu as primeiras mesas para a startup em 2013.
Grandes (e pequenas) decisões que moldaram a Rock Content no que é hoje foram tomadas em torno dessas mesas. E o chefe de marketing estava no centro de cada processo de tomada de decisão, impulsionando o crescimento e o propósito com criatividade e análise.
Hoje, seu papel como CMO nunca foi tão dinâmico e influente.
O que é necessário para os CMOs modernos se tornarem líderes de alto impacto que levam suas organizações ao sucesso?
Peçanha tem alguns pontos de vista para compartilhar.
Compartilhando e alcançando um objetivo comum
Qual era a sua visão quando iniciou sua função como CMO?
Vitor Peçanha: “Como fundador de uma startup de marketing, tudo o que eu tinha no começo era uma ideia e um plano para executá-la.
Fundamos a Rock Content porque acreditamos que existe uma maneira melhor de fazer marketing usando conteúdo para atrair e encantar seu público e gerar negócios.
Quando começamos em 2013, o marketing de conteúdo não era muito conhecido no país, e nossa visão era nos tornar a maior empresa de marketing de conteúdo do mundo, começando por introduzi-lo no Brasil.”
Como você garante que suas metas de marketing estejam alinhadas com a organização como um todo?
VP: “Na Rock Content, temos um modelo de gestão estruturado.
A cada seis meses, a equipe executiva revisa as metas da empresa – como receita, retenção de receita líquida (NRR), etc. – para criar o plano geral de negócios da empresa.
Em seguida, temos um modelo de responsabilidades em cascata e indicadores-chave de desempenho (KPIs) que começam no topo e terminam no colaborador individual, onde todas as etapas estão conectadas entre si.
Uma das consequências é que muitas das metas do departamento costumam estar bem próximas da receita, às vezes até compartilhadas com a equipe de vendas.
Minha meta individual, por exemplo, é a meta de receita da empresa, não uma métrica específica de marketing.”
Investir em Pessoas e Treinamento
Como sua filosofia de construir e gerenciar uma equipe mudou ao longo do tempo?
VP: “Aprendi algumas coisas nos últimos 10 anos, mas acredito que a mais importante é que um grande membro da equipe que oferece qualidade consistente e vai além vale 10 vezes mais do que alguém que apenas faz o que lhe mandam, mesmo se corretamente.
Essa garra que algumas pessoas têm faz toda a diferença, e agora concentro minhas contratações nessa soft skill mais do que em qualquer outra coisa.
É claro que, se for um cargo mais sênior, a experiência terá um grande papel, mas prefiro treinar um funcionário júnior apaixonado do que lidar com um sênior adequado.”
Em uma pesquisa do Gartner de 2022, a falta de recursos internos se destacou como a maior lacuna na execução de estratégias de conteúdo. Diante desse desafio, como atrair e reter os melhores talentos de marketing?
VP: “Construímos uma grande marca no espaço de marketing digital nos últimos 10 anos. Somos vistos como inovadores e criadores de tendências na área, especialmente no Brasil, então não temos problema de atração quando se trata de marketing de talentos.
Além disso, um de nossos “hacks” é o nosso centro de aprendizagem, a Rock University, que já ultrapassou a marca de 500.000 alunos porque basicamente estamos educando o mercado para as nossas necessidades.
A retenção é um jogo diferente porque precisamos mantê-los engajados e entusiasmados com a empresa, por isso investimos muito em treinamentos e outras iniciativas.
Prefiro equipes menores, para que cada membro tenha mais responsabilidade e reconhecimento. Como terceirizamos nossa criação de conteúdo para nossa própria rede freelance, é mais fácil ter uma equipe escalável.”

Liderando em uma cultura que prioriza os dados
Em que tipo de métricas de marketing de conteúdo você se concentra e como determina se possui a estratégia certa?
VP: “A principal métrica da minha equipe hoje é Sales Qualified Leads (SQLs), então preciso gerar não apenas volume, mas perspectivas de alta qualidade para a equipe de vendas.
É fácil saber se estamos tendo um bom desempenho ou não com essa métrica, e estamos constantemente monitorando as fontes SQL com base na quantidade de pipeline que cada fonte gera.
Então, por exemplo, se um patrocínio gera 1 milhão no pipeline e me custa 100 mil, eu aumento o investimento ali.”
Eles dizem que a função de CMO é amplamente impulsionada por análises, e não por decisões instintivas. Você concorda? Como você usa os dados em seu trabalho diário?
VP: “Concordo, e a maioria das minhas decisões são baseadas em dados.
Estou constantemente verificando quantos SQLs minha equipe gerou, o custo por dólar gerado no pipeline e o desempenho do canal e da campanha. Mas os dados por si só não são suficientes para tomar decisões ponderadas, e é aí que entram os instintos e a experiência.
Um CMO precisa analisar os dados e ver uma história, entendê-la e escrever seu próximo capítulo.
Claro, nem toda iniciativa é fortemente baseada em dados. Ainda é importante fazer coisas que não são diretamente mensuráveis, como campanhas de reconhecimento da marca, mas elas representam uma pequena parte do meu investimento e tempo.”
Quais são as habilidades que os CMOs precisam que não recebem atenção suficiente?
VP: “Ser capaz de criar e contar uma ótima história, tanto interna quanto externamente, é uma das maiores habilidades que um CMO deve ter e não recebe atenção suficiente em um mundo focado em dados.
Os dados são essenciais, claro, mas se você não conseguir transformá-los em uma estratégia que não apenas traga resultados, mas também estimule as pessoas, você terá dificuldade em ser um grande CMO e líder.”
Se você tivesse que resumir o valor de um profissional de marketing de conteúdo, qual seria?
VP: “Um grande profissional de marketing de conteúdo pode criar conteúdos que parecem simples e fáceis de escrever, mas por trás deles sempre há uma estratégia, muita pesquisa e habilidades que são invisíveis para o usuário final, e é assim que deve ser .”
Qual você acha que será o futuro do marketing de conteúdo? O papel da IA na estratégia de conteúdo?
VP: “Se tudo correr bem, o termo marketing de conteúdo não será mais usado em um futuro próximo.
As estratégias de conteúdo estarão tão integradas dentro do departamento de marketing que não fará mais sentido chamá-lo de marketing de conteúdo, da mesma forma que não dizemos mais Web 2.0.
Bons CMOs e profissionais de marketing entenderão que o cliente segue uma jornada em que tudo é conteúdo (até mesmo PPC, mídia offline etc.) e não faz sentido tratá-los separadamente.”
Confira este episódio do SEJShow com Loren Baker, onde Peçanha fala mais sobre o que está por vir no marketing de conteúdo.
Mais recursos:
- Um dia na vida de um gerente de marketing de conteúdo
- 11 dicas para construir uma equipe de marketing de conteúdo excepcional
- 5 principais prioridades corporativas de SEO que os CMOs precisam acertar
Imagem em Destaque: Cortesia de Vitor Peçanha
